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Dia Mundial de Conscientização do Albinismo – 13 de Junho

Hoje, 13 de Junho,  é o Dia Mundial de Conscientização do Albinismo. Uma pessoa com albinismo não produz melanina — o pigmento dá cor à pele, aos cabelos, pelos, olhos. Apenas uma em cada 20 mil pessoas no planeta possui a condição genética (que não é doença) e acaba se destacando na multidão.  De acordo com a ONU, cerca de 18 mil pessoas no mundo têm albinismo.

E nós estamos muito felizes em ter o Rodolfo, uma dessas 18 mil pessoas, integrando nossa equipe. Um profissional competente, dedicado e responsável. Nem mesmo sua visão prejudicada, decorrência do albinismo, atrapalha suas atividades aqui no trabalho. A gente tem orgulho em tê-lo aqui, vê-lo ganhando espaço nas tarefas, aumentando suas diárias de trabalho e treinamento.

Rodolfo tem 43 anos e nunca teve uma oportunidade no mercado de trabalho antes. Aqui é sua primeira experiência profissional.

Muito tem se falado da inclusão das pessoas com Síndrome de Down na sociedade e no mercado de trabalho. Mas e as outras deficiências?

“Ser inclusivo” empregando somente pessoas com Down, porque eles “são anjos”, todo mundo acha bonitinho e quer fotografar ao lado deles, dizendo: “estou fazendo minha parte, tem um Down fofo aqui comigo na foto” não é o que precisamos.

O caminho para a inclusão de verdade é muito mais longo e árduo, não é feito só de flashes e curtidas. E nós temos plena consciência que aqui, no Bellatucci, ainda precisamos batalhar e percorrer uma longa estrada na luta da inclusão real.

Estamos no começo, fazendo aos poucos, e somos gratos demais as pessoas sérias e comprometidas com essa causa que têm nos aconselhado e apontado os caminhos para chegarmos, de fato, a ser um exemplo de empresa (seja ela cafeteria, ou não. Seja ela a primeira, segunda, terceira ou milésima) inclusiva.

Vamos juntos! Desistir jamais. Ah, a propósito, hoje o Rodolfo está na escala de trabalho, venha tomar um cafezinho com ele. O dia de hoje é muito importante para ele (e agora para todos nós)!

jessica-PEAPDI

A Jéssica é sim uma empreendedora com Síndrome de Down. Quer provas? Ta aí!

Ontem, de madrugada, recebi essa mensagem abaixo contestando o fato de dizermos que a Jéssica é uma empreendedora com Síndrome de Down. Achei que era um questionamento válido e uma boa oportunidade de esclarecer isso para todos.

Como eu mesmo já disse várias vezes, não dá para acreditar em tudo que a mídia divulga. Longe de mim criticar meus colegas de trabalho, mas existem profissionais e “profissionais”. E existe também a pressão por busca de cliques, que acaba levando alguns jornalistas “florearem” uma matéria visando somente o aumento de audiência.

Então, a moça que me mandou a mensagem está certa em contestar a veracidade dos fatos. E como nós do Bellatucci prezamos pela transparência e eu, Priscila Della Bella, jornalista, prezo pela verdade e pelas reportagens e matérias bem apuradas, resolvi escrever esse post para deixar bem claro a todos esse assunto.

O Sebrae, referência no assunto, define empreendedor como: “Numa visão mais simplista, podemos entender como empreendedor aquele que inicia algo novo, que vê o que ninguém vê, enfim, aquele que realiza antes, aquele que sai da área do sonho, do desejo, e parte para a ação”.

Só com isso, a Jéssica poderia sim ser definida como empreendedora. Ela sonhou em ter um restaurante, ela apresentou essa ideia para nós, que a lapidamos, para que ela se tornasse possível. Em um país cheio de preconceitos e falta de oportunidades para as minorias, em meio a crise econômica, ela iniciou algo novo. Ela plantou a ideia e, com nossa ajuda, saiu da área do sonho, do desejo e partiu para ação.

Mas não é só isso. A Jéssica é sócia legal da empresa, com contrato firmado e reconhecido em cartório. Ela responde legalmente pela empresa. E, mais do que isso, ainda que em menor valor, tem dinheiro dela investido no negócio. Sua poupança, que vinha sendo abastecida por trabalhos que ela realizou, foi uma das fontes para o aporte inicial.

Nas últimas semanas, ela esteve participando de Semanas de Empreendedorismo em duas unidades do SENAC – Santana e Francisco Matarazzo. Convites que foram realizados somente após representantes das instituições visitarem o Bellatucci e comprovarem a veracidade do empreendimento. Semana passada, ela esteve presente na  Secretaria do Estado das Pessoas com Deficiência de São Paulo para falar também sobre o tema durante um Seminário.

Quem nos visita, pode acompanhar de perto a dedicação que ela tem ao seu trabalho, o quanto ela ama estar cozinhando, fazendo café e atendendo as pessoas. Mais recentemente, descobriu que adora também participar desses eventos.

Eu e meu marido somos sim sócios dela, mas, como sempre digo, a protagonista da história é a Jéssica. Sem o seu sonho, seu empenho e o amor que temos por ela, o Bellatucci não seria nem uma ideia, muito menos um empreendimento de  impacto social.

Enfim, dúvida respondida né? 😉

https://youtu.be/bawobL5CsFkhttps://youtu.be/970H-JfSZHkhttps://youtu.be/DdASBAl2uwM

Conta a lenda que, para se ter sorte, é preciso comer um prato de nhoque no dia 29 sem esquecer de colocar uma nota de dinheiro debaixo do prato e mentalizar um pedido especial: "estou comendo este nhoque para que nunca me falte comida na mesa e dinheiro no bolso". O mais importante é fazer o pedido enquanto saboreia os sete primeiros nhoques e que o dinheiro fique guardado até o próximo dia 29, para garantir a fartura desejada. A lenda conta que num certo dia 29 São Pantaleão, vestido de andarilho, perambulava faminto por um vilarejo da Itália. De casa em casa, pedia comida e ninguém o atendia. Apenas uma família, que tinha pouca comida em casa, ajudou o pobre homem. Deram sete massinhas de nhoque para o andarilho e desta forma todos conseguiram se alimentar. São Pantaleão comeu, agradeceu e desejou sorte à família, antes de partir. Quando foram recolher os pratos descobriam que havia moedas embaixo de cada prato.

Todo mundo quer provar o nhoque de mandioquinha da Jéssica!

Nem todo mundo sabe, mas a Jéssica já participou do Programa É de Casa, da Rede Globo. Ela foi convidada para cozinhar ao vivo e escolheu o seu prato favorito, nhoque de mandioquinha, para ensinar ao público. Receita que ela aprendeu com uma professora de gastronomia que é muito querida pela família Bellatucci, a Reymi Myazi.

Desde então, o prato favorito tornou-se seu carro-chefe e até foi um dos muitos empurrões que a levaram à abertura do Bellatucci. Depois da participar do programa, choveram pessoas convidando a Jéssica para cozinhar na casa delas ou demonstrando muita vontade em provar o prato.

Daí, a sementinha foi crescendo em seu coração: “se tanta gente quer provar, por que não posso ter um restaurante e vendê-lo?” Por isso que quando o Bellatucci nasceu, mesmo com um cardápio de almoço bem reduzido (que já está sendo ampliando devido ao aumento da clientela #TksLord!), o nhoque entrou na parada.

Não fixamos ele no menu diário porque dá trabalho! A Jéssica faz a massa artesanalmente e faz questão de moldar “cada cobrinha” – como ela mesmo diz – e cortar bolinha por bolinha igualmente. Aliás, até descascar a mandioquinha ela gosta. Esse é um processo que ela faz do começo ao fim. Da mandioquinha descascada até o molho de calabresa levemente apimentado. Ela conta com ajuda? Sim, claro! Qual cozinheiro – ou chef, como queiram – não conta? Mas o nhoque é feito essencialmente por ela.

Logo no nosso mês de inauguração, dia 29, conhecido pelo Dia do Nhoque da Fortuna, foi um sábado. Decidimos aproveitar o ensejo e realizar a primeira “Nhocada da Jéssica”. Não foi fácil. Ela (e toda a equipe) trabalhou duro a semana toda e ralou no dia do evento para tudo sair direitinho. Deu medo? Deu! Tivemos falhas? Tivemos. Mas aprendemos, nos aprimoramos e no dia 29 de setembro tudo já foi mais fácil.

E, para nossa felicidade, as pessoas começaram a nos procurar para realizar almoços de grupos fechados – com o nhoque de mandioquinha como prato principal – e está sendo muito legal fazer esses eventos! Nesse mês, abrimos as portas do Bellatucci em dois Domingos seguidos para comemorar o aniversário da Regina e do Davi, respectivamente.

Foram experiências muito bacanas e estamos melhorando a cada uma delas. Já temos mais duas nhocadas marcadas para grupos fechados no mês que vem! E todo dia 29 vamos ter nhocada no Bellatucci. Esse mês foi fechado para o aniversário do Davi, mas em novembro teremos nhoque no almoço para quem quiser seguir a tradição.

Vou confessar aqui para vocês que eu nunca tinha feito a simpatia do nhoque até dia 29 de setembro, na nossa segunda nhocada. O primeiro evento foi uma loucura, a equipe ficou só com vontade de nhoque! Mas no segundo, conseguimos almoçar e também fazer a simpatia. E olha só, não é que outubro foi um mês ótimo, cheio de novos clientes e eventos? Pelo sim ou pelo não, agora em outubro, comemos o nhoque divino da Jéssica com a notinha debaixo do prato. Vamos ver o que nos aguarda em novembro!

Para quem não conhece a lenda do Dia do Nhoque da Fortuna, aí vai:

Conta a tradição que, para se ter sorte, é preciso comer um prato de nhoque no dia 29 com uma nota de dinheiro debaixo do prato. A lenda conta que num certo dia 29 São Pantaleão, vestido de andarilho, perambulava faminto por um vilarejo da Itália. De casa em casa, pedia comida. Uma família humilde decidiu ajudá-lo e dividiu a refeição com ele. Foram exatas sete bolinhas de nhoque para cada um que estava a mesa. São Pantaleão comeu, agradeceu e desejou sorte à família, antes de partir e, pelo gesto de gratidão e caridade, deixou moedas embaixo de cada prato.

O que achou da história? Já a conhecia? Se você já segue a tradição, taí um ótimo motivo para almoçar com a gente no próximo dia 29. E para quem nunca a fez, que tal testar aqui no Bellatucci?

Se quiser fazer seu evento, não precisa esperar ser um dia 29, não! Venha saborear o nhoque de mandiquinha da Jéssica e celebrar deliciosos momentos com seus amigos e familiares aqui. Quem já fez, recomenda. Teremos muito prazer em recebê-los!

jessica-pereira

Por que o Bellatucci não é “apenas” mais uma cafeteria

Como nosso site tardou um pouco para ficar pronto e o nosso blog mais ainda, tem alguns assuntos que já são antigos, mas que valem a pena serem explanados aqui. Esse espaço foi feito justamente para isso, para conversamos com nossos amigos clientes, contar para eles o que gostaríamos de contar se eles estivessem aqui, no nosso café inclusivo, sentados em uma das nossas cadeiras azuis tomando um capuccino e comendo um pedaço de bolo.

São raros os clientes que saem daqui sem um bate papo com a gente. Alguns mais longos, outros mais breves, mas sempre tentamos conhecer um pouco da história de quem está nos visitando e vice-versa.

Vale o registro aqui também de parte da história do Bellatucci, o primeiro café inclusivo do Brasil fundado por uma empreendedora com Síndrome de Down. Parte porque nossa história é longa, envolve 25 anos de batalha por inclusão e autonomia. Luta a qual só quem é família conhece. Mas, passando um pouco esse filme para frente, chegamos no capítulo atual.

O sonho da Jéssica sempre foi ter um restaurante, mas o alto investimento e o ritmo frenético que o estabelecimento demanda não se encaixavam com as nossas reais expectativas . Sim, porque tudo foi pensado, planejado, estudado. Foram meses para o sonho se realizar, nada aconteceu da noite pro dia. Foi então que eu e meu marido (o sócio da Jéssica), após viajarmos pela América do Sul e termos conhecido inúmeros cafés charmosos, trouxemos essa ideia para a Jéssica.

Por que não abrir um café restô? Modelo muito comum em outros países e que ainda está ganhando espaço no Brasil. Não se trata de uma cafeteria, tipo Starbucks (bebidas à base de café, salgados e pessoas focadas em seu notebook trabalhando), é um espaço gastronômico onde as pessoas podem passar horas degustando quitutes e pratos que fogem do trivial, sem ver o tempo passar, porque se sentem acolhidas ali. É comum também esses espaços serem utilizados para eventos e encontros culturais.

E se o Bellatucci ainda não é assim, estamos caminhando na direção certa e a passos largos para isso. Até mesmo aqueles que por aqui passam buscando por um café rápido, acabam sentando, respirando, se acalmando e percebendo que é possível tomar um café com calma. Aqueles cinco minutinhos engolindo um café de pé pode se transformar em meia hora, tomando o mesmo café, sentado, batendo um papo, ouvindo uma boa música ou lendo uma revista. O café não muda, mas o ambiente e o estado de espírito sim e a bebida fica até mais gostosa.

Em três meses de funcionamento é exatamente esse tipo de feedback que estamos recebendo. Clientes gratos por encontrarem um oásis em meio a selva de pedra. Felizes em receber um atendimento caloroso, humanizado, olho no olho, sinceridade no “seja bem-vindo”. Clientes que entram para tomar um cafezinho e acabam almoçando, comendo sobremesa e tomando outro cafezinho rs. Clientes que se sentem acolhidos em nosso espaço, pois percebem o amor que ali permeia.

Todo dia temos uma surpresa boa. Seja uma palavra, uma visita, uma avaliação ou comentário nas redes sociais. O mais importante é que sentimos que são elogios sinceros. Não tem condescendência. Os elogios são para o nosso espaço, o nosso serviço, o nosso atendimento e o nosso cardápio. Não é porque a Jéssica, o Phillipe, a Priscila, a Bárbara ou a Jaque são “bonitinhos”. É porque eles estão fazendo o trabalho deles corretamente. É porque o Bellatucci está dando oportunidade para eles trabalharem e aprenderem com erros e acertos.

O café não saiu direito? Acontece, todo mundo erra, faz outro! O bolo queimou? Bate uma massa nova. O nhoque ficou duro? Tenta de novo! Aqui todo mundo é aprendiz. Não tem um chef nos bastidores fazendo tudo. Quem faz é a Jéssica – uma cozinheira amadora que sonha em ser uma chef, mas ainda não é – com a ajuda dos seus amigos e da sua mãe, que sempre cozinhou só para sua família. É tudo de verdade. E é esse coração aberto, transparência e essa casa de vidro que criamos, que ganha a empatia das pessoas. Percebe a diferença entre empatia e condescendência?

Aliás, esse último exemplo do nhoque, me faz lembrar de um caso real. Um dia, uma cliente veio aqui e o nhoque de mandioquinha não estava no ponto certo. Com a sinceridade que tanto prezamos e pedimos aos nossos clientes, ela nos contou que estava indo embora insatisfeita. A Jéssica, como profissional e não como uma coadjuvante da história, se desculpou pelo seu erro. Porque foi erro dela mesmo. Ela que faz, ela que errou. E ela assume. Ponto. Aliás, essa é uma das coisas que prezamos por aqui, não temos que poupá-los. Se queremos inclusão, comecemos de casa (ou do trabalho) a tratá-los igualmente.

Depois do ocorrido, a Jéssica passou o dia todo chateada e inconformada com a falha. Quando chegou a noite em sua casa, ela tomou a iniciativa de preparar uma nova massa. No dia seguinte, quando chegou o horário do almoço, ela estava lá, na porta do consultório onde nossa cliente trabalha, com um prato de nhoque em mãos, dessa vez bem feito, e um novo pedido de desculpas, mas dessa vez não vinha acompanhado de desapontamento e sim de orgulho, por ter se superado.

pessoal da academia no outubro rosa

Outubro Rosa com a galera da academia

A Jéssica é doida pela sua “galera da academia“, como ela gosta de chamar. Toda terça e quinta, depois de trabalhar o dia todo no Bellatucci, ela sai no pique total direto para as aulas de Zumba e Muay Thai. Ela coloca seu look, que já está separado desde da noite anterior – essa semana o look foi especial para o Outubro Rosa -, sua garrafinha de água e vai sozinha! Quando está escuro, alguém a acompanha, mas ela não curte muito, por isso que no horário de verão ela fica feliz, porque pode ir sem “guarda-costas”.

O legal disso é que ela sente prazer em estar lá, se sente acolhida e querida. Eles tem um grupo no WhatsApp e ela tá sempre trocando mensagens, interagindo, falando bobagens… Eles não a tratam diferente por ter Down, e é por isso que ela se sente tão bem com eles!

Ter essa galera é muito importante para o desenvolvimento e para a inclusão da Jéssica. Ela tem amigos Downs e os ama! Mas tem também amigos que não têm Down e todos têm o mesmo significado e importância para ela. Praticar a inclusão é um exercício diário e que pode, aliás deveria, acontecer naturalmente. E com essa galera foi assim, sem estardalhaço, sem pressão, sem melindros, apenas mais uma amiga que chegou e entrou para o grupo!

Já recebemos a visita de vários desses amigos da academia no café e podemos sentir de perto a relação que eles têm. É muito bacana o apoio que eles dão ao negócio dela. Cada vez que alguém deles comenta com ela que virá, ela se prepara com muita ansiedade e felicidade para esse dia. “Ah, amanhã, fulano da academia vem no meu café!!”, comenta empolgada. E no dia seguinte, lá está ela, cedinho no café, linda, sorridente, de batom na boca, pronta para receber o amigo.

Ah, ontem foi uma aula especial ao Outubro Rosa, todos foram com a cor da campanha. Claro que assim que ficou sabendo, a Jéssica já separou sua roupa rosa. A semana toda ficou em cima da cama “Essa vou usar quinta na aula especial da academia”. E olha que lindo que ficou todos de rosa, apoiando o mês da prevenção contra o câncer de mama.